Quando a COVID-19 começou, muitos profissionais entraram em modo de emergência, com horas de trabalho e concentração extremos para fazer para garantir a continuidade das operações. Mas à medida que a pandemia progrediu, e ainda não está sanada, a adrenalina que pode ter impulsionado no início os profissionais que entraram em teletrabalho está quase esgotada.

 

Em início de setembro, data da rentrée de muitos profissionais após o período mais longo de férias do ano, as organizações têm que acautelar o bem-estar mental das suas pessoas. Uma das questões que emergiu durante este período disruptivo foi a saúde mental que tem custos a nível pessoal pesados e, obviamente, na produtividade do trabalho do indivíduo que sofre de fadiga, depressão, burnout. Prevenir é a palavra-chave: se a sua empresa regressar em exclusivo ao regime de teletrabalho, é preciso estar atento.

 

É emergente que as organizações enquadrem nas suas políticas organizacionais, no curto e no longo prazo, práticas de vigilância e prevenção do bem-estar mental das suas equipas. Algumas sugestões da Adecco Portugal para garantir que as suas equipas estão atentas às questões de saúde mental das pessoas, e como intervir para mitigar o agravamento de sintomas.

 

Seja um líder ‘presente’

 

A liderança deve permanecer visível e acessível e isso inclui o aumento da disponibilidade virtual, se necessário. Muitas ferramentas de reunião online, que têm sido o único veículo de comunicação entre as equipas em teletrabalho, não servem apenas para manter contactos formais. Se é um líder com um estilo de gestão inclusivo, que incentiva à participação e ao trabalho colaborativo, faz sentido falar one to one e informalmente com os membros da sua equipa, tal como acontece de forma natural num regime de trabalho presencial. Não só pode avaliar o estado de espírito em que se encontram, perceber como levam o seu quotidiano neste regime de trabalho, como fazer perguntas de trabalho, apelar à participação da resolução de problemas, buscar ideias.

 

É muito importante para estabelecer o tom da liderança, mas é sobretudo uma forma de estar presente, de mostrar que se preocupa com o bem-estar das pessoas e de manter a motivação buscar os seus contributos. Este contacto mais personalizado pode conduzir ao reconhecimento precoce de sinais de fadiga ou compromisso do bem-estar mental, permitindo-lhe agir antes do agravamento da situação.

 

Reconheça os sinais de aviso

 

O burnout pode manifestar-se de várias formas, incluindo a diminuição da satisfação e do empenho, a diminuição da produtividade, o aumento do conflito pessoal, e o desejo de desistir e de se desvincular. Os empregados podem não admitir que estão esgotados por receio de parecer uma falha pessoal ou um sintoma de falta de empenho, o que só agrava o seu estado mental. Para contornar este problema, os gestores astutos devem estar atentos a mudanças nas atitudes dos funcionários que possam indicar um problema mais profundo de burnout.

 

Treinar para a resiliência

 

O treino individual aumenta a resiliência no trabalho, pelo que os gestores devem focar-se tanto os objetivos de trabalho, como na saúde individual dos membros das suas equipas. Assim, pode ser um excelente investimento nas pessoas a sua empresa dar acesso a sessões de coaching. Por vezes, uma conversa com um coacher pode ser determinante para o desenvolvimento e desbloqueio individual, que pode aumentar a satisfação e a motivação e, ao mesmo tempo, dá uma sensação de resiliência.

 

Reduza a carga de trabalho para evitar o esgotamento

 

Os profissionais de alto desempenho são-no por uma razão: eles assumem muito e conseguem muito. Mas, mesmo a pessoa mais produtiva pode atingir um ponto de rutura. É muito importante saber reconhecer os primeiros sinais de stresse e aliviar os membros da equipa, que deem indícios de fadiga, de certas funções que podem ser reafetadas. Todos temos um número limitado de horas num dia e a produtividade sem esgotamento requer uma redução estratégica das atividades consumidoras de energia.